Luciano Teixeira
Oeste Paulista

Tupi Paulista – Terras raras não são terras

Atualmente tem se falado bastante nas tais “Terras raras”. E as nações detentoras da tecnologia para exploração detém o poder de barganha.
Na verdade,

“Terras raras” são um grupo de 17 elementos químicos com propriedades únicas, essenciais para tecnologias modernas (eletrônicos, veículos elétricos, turbinas eólicas) e defesa, apesar de não serem realmente “raras” na Terra, mas sim difíceis de extrair economicamente, com a China dominando a produção, e o Brasil possuindo grandes reservas, mas baixa produção atual, tornando-as um ativo geopolítico estratégico.

Os elementos que constituem o grupo das terras-raras foram inicialmente isolados sob a forma de óxidos, recebendo então a designação de “terras”, à época a denominação genérica dada aos óxidos da maioria dos elementos metálicos.

Por apresentarem propriedades muito similares, serem apenas conhecidos em minerais oriundos da Escandinávia e por serem de difícil separação, foram considerados “raros”, daí resultando a denominação “terras-raras”, ainda hoje utilizada, apesar de alguns deles serem comparativamente abundantes na composição crostal da Terra.

São cruciais para ímãs superpotentes, telas, baterias, catalisadores e sistemas de defesa.

Mas mesmo assim continuam com o nome enganoso, pois: Não são raras, mas sua concentração em depósitos viáveis para extração é baixa e complexa, tornando a mineração custosa.

Geopoliticamente são muito importantes e Indispensáveis para a transição energética e a alta tecnologia.

Politicamente o pais que detém, passa a dominar como a China lidera a produção e refino, dando-lhe poder estratégico.

O Brasil, detentor da segunda maior reserva mundial, busca desenvolver tecnologias para explorar essa riqueza estratégica para a transição energética e alta tecnologia.

Produzir e refinar esses elementos é tão importante quanto conhecer onde estão as reservas

Um mapa de reservas produzido pela Visual Capitalist com dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) mostra a vantagem chinesa: estimativas apontam 44 milhões de toneladas métricas para a China, 21 milhões para o Brasil e 6,9 milhões para a Índia.

Outros países com mais de um milhão de toneladas incluem Austrália (5,7 milhões), Rússia (3,8 milhões), Vietnã (3,5 milhões), Estados Unidos (1,9 milhão) e Groenlândia (1,5 milhão). No total, o planeta teria cerca de 92 milhões de toneladas métricas, com a China detendo aproximadamente metade.

As terras raras no Brasil estão distribuídas por vários estados, com maiores concentrações e potencial em Minas Gerais (MG), Goiás (GO), Amazonas (AM), Bahia (BA) e Sergipe (SE), destacando-se Araxá/Tapira/Poços de Caldas (MG), Catalão (GO) e Seis Lagos (AM), além de novas descobertas em Roraima (RR), no Rio Grande do Sul (RS) e no Piauí (PI), abrangendo rochas alcalino-carbonáticas e depósitos de argila iônica.

Há mais de dois séculos foram iniciadas as pesquisas das terras raras, feita pelo militar e mineralogista Carl Axel Arrhenius no ano de 1787, a partir de uma amostra recolhida numa pedreira das proximidades da localidade de Ytterby, na Suécia. Muitos dos elementos incluídos nas terras-raras foram denominados em honra dos cientistas que os isolaram pela primeira vez ou que descreveram as suas propriedades físico-químicas elementares, pela sua origem geográfica, por referência à mitologia clássica greco-latina ou por neologismos latinizados ou helenizados.

Portanto, os referidos elementos não são “terras” e não são “raros”. Concluimos que possuimos mais uma riquesa importante e irrelevante se não soubermos ou tivermos capacidade de explorá-la a nosso favor.

Antonio Luciano Teixeira