Tupi Paulista – Caminhar é preciso
O homem caminhava por necessidade, não por prazer. As longas caminhadas eram comuns para caça, coleta e migração, sendo a forma fundamental de deslocamento, desde a Pré-História e Antiguidade.
Caminhar era associado à pobreza ou à necessidade, com as classes mais abastadas usando transporte, já que o solo era acidentado e a pavimentação era rara.
A caminhada humana como manifestação tem raízes na sobrevivência e migração de nossos ancestrais há milhões de anos, evoluindo de uma necessidade básica para, mais tarde (na Era Vitoriana e Revolução Industrial), se transformar em lazer e bem-estar, impulsionada por ruas pavimentadas e a percepção do corpo como ferramenta de saúde, sendo usada hoje em movimentos sociais por sua simplicidade, visibilidade e força simbólica, de Gandhi a protestos contemporâneos.
A Caminhada como manifestação e símbolo de resistência foi usada por Mahatma Gandhi na Índia e Martin Luther King Jr. nos EUA, a marcha se tornou um ato poderoso e visível de protesto, sem depender de tecnologia.
Simplicidade e acesso marcam as caminhadas permitindo que grandes grupos se movam juntos, aumentando o impacto visual e a união.
Movimentos usam a caminhada para conectar-se com o passado e com a comunidade, transformando o espaço urbano em um local de expressão política e cultural.
Em resumo, a caminhada evoluiu de uma ferramenta de sobrevivência para uma prática de lazer e, finalmente, para uma poderosa forma de expressão social e política, aproveitando sua simplicidade e universalidade.
A caminhada humana, ou marcha, é uma forma primordial de manifestação política e social que utiliza o movimento coletivo e o espaço público para expressar dissidência, reivindicar direitos ou demonstrar solidariedade. Ao caminhar juntos, os participantes transformam o espaço urbano em um local de protesto, tornando visíveis demandas muitas vezes invisibilizadas.
A caminhada é uma “demonstração corporal de condições políticas ou culturais”, onde os passos dos cidadãos contam uma história de luta. Ela transforma o trânsito diário em um ato de reivindicação.
Marchar permite que grupos retomem ou tomem posse simbólica de cidades, impondo sua presença em espaços ocupados ou negados.
No Brasil as marchas ou caminhadas sempre marcaram diversos momentos da história, mobilizando e dando visibilidade, demonstrando como serve para atrair atenção para pautas específicas e unificar apoiadores.
A caminhada fomenta um senso profundo de comunidade, onde passos compartilhados criam um ritmo de solidariedade, fortalecendo a união popular em favor da justiça e dignidade humana.
Em suma, a caminhada não é apenas deslocamento físico, mas uma “fala” corporificada em esperança, que transforma o espaço público em um palco de resistência e mudança social.
A frase mais conhecida de Santo Agostinho sobre esperança é: “A esperança tem duas filhas lindas: a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”. Essa citação destaca que a esperança não é passiva, mas um motor para a ação e transformação, vindo da insatisfação com o presente (indignação) e da força para o novo (coragem).
Para Santo Agostinho, a esperança é um chamado à ação, que nos tira da inércia e nos impulsiona a buscar a mudança, confiando naquilo que é eterno.
Inspirado em uma letra da canção de 1968, deixamos um convite: “Vem, vamos embora / Que esperar não é saber/ Quem sabe faz a hora/ Não espera acontecer”. O propósito da vida é viver intensamente.
Antonio Luciano Teixeira



